12 de jun de 2011

8 - TÚNEL




Talvez tenha construído demasiado longo
esse túnel feito de palavras.
Esmeradas, escolhidas, polidas como jóias.
Únicas todas elas, raras e tão especiais.
Mas um túnel demasiado longo,
sem claridade na saída. Nada.
Nada, a não ser o brilho escuro, familiar,
vindo do próprio túnel, onânico, solitário,
de mais palavras desabrochando momentos,
feições novas de velhos significados revistos,
velhas roupagens puídas cerzidas mais uma vez.
Apenas mais palavras.
Uma espécie de infinito tornado cúmplice,
noite,  penumbra escondendo os outros,
suas dores, mágoas, medos, monstros,
e escondendo-me de quase todos eles.
Tudo para dar-me o tempo de mais um poema,
jamais singular, e  jamais definitivo,
como tanto desejaria que fosse.
Jamais um poema revelador, feito de luz,
maior que apenas um monólogo incontido,
mostrando-se além da prudência
que o tempo trouxe.
E,  inevitavelmente,
jamais algo que me colocasse
além das simples palavras.
E de monólogos no meio de um túnel.

Foto: Ian Briton/Freephoto.com

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