26 de ago de 2013

86 - QUE TRAGO NAS MÃOS






De tudo o que podia ter sido a nossa história,
acabou sendo só o que pôde ser.
O Tempo não nos concedeu mais,
mas, ainda assim, o que trago nas mãos
são muitos dos gestos que foram teus,
e cicatrizes de coisas que nunca decidirei
se mas ensinaste mal, ou se mal as entendi.
E mesmo depois que escolhi os meus caminhos,
e, caminheiro, caminhei  meu caminhar,
levei comigo por detrás destes olhos de pássaro
a solidão risonha daqueles poucos  
que, inquietos, buscam a paz.
Hoje, no teu aniversário, pai,
escuta o meu  “-Muito obrigado! “
Talvez hoje, tantos anos depois, afinal,
já houvesse perguntas que, se tas fizesse,
não as soubesses responder.
E sei como ficarias contente.
Poupou-me o Tempo
essa memória triste.