21 de mar de 2015

20 de mar de 2015

102 - DIA DO PAI






Não sei que horizonte, que medida chã,
que outro tempo, ventos e rumos,
canto no meu canto, de voz alterada.

No meu canto de costas guardadas,
por paredes de pedra forte e fria,
sem grilhões nem abraços.

No meu canto, caverna de dragão,
em confortos de dor profunda,
risos de felpas antigas sob a pele.

( Não sei  de  taças erguidas, hoje.
Sei de portas para sempre fechadas...
E de ruas que fiz com palavras,
cruzando toda uma cidade de destinos
que me são profanos, e hostis,
para levar mensagens que nunca serão lidas,
e outras que já nunca escreverei.)

Sei da chuva lavando as calçadas de pedra
como lágrimas colectivas,
onde as minhas nadam, campeãs.


19.03.2015
Foto: S. Gimigniano/Toscana/Italia