28 de jun de 2015

108 - PENSAR O TEMPO




Olho para nossos passos, de Poetas…
Afinal,  acabou por ser diferente.
Nem a vida nos trouxe momentos tão maiores que nós,
nem nós soubemos, talvez, vivê-la de forma a merecê-los.
Mas será que provocamos novos brilhos nas estrelas,
como sussurros luminosos e  secretos,  mais vozes por entre vozes?
Será que lhes demos algo nosso, um  toque de precioso e único,
nesse afã de acariciar o outro lado da coisa simples ?
Não sei ...
Mas sei que vale a pena!

Sei que as minhas mãos acham, todos os dias,
o jeito daquelas carícias antigas, que um dia inventamos
e trouxemos  ao mundo convictos, com a alegria de quem  vê
velhos gestos florescerem em novos roçares de alma.
Sei que encontro sempre, no ar rarefeito do quotidiano,
os cheiros essenciais das descobertas surpreendentes
com que acrescentamos aos dias o nosso colorido feliz.

E nessa torre, que pelo tempo fomos construindo
em  coloridos tijolos feitos de  instantes de Poeta,
o tempo passou sem que víssemos,
e a cada dia fomos  erguendo em todos os tons
as paredes arco-íris de um novo piso 
que na véspera ainda não havia,  nem
sequer estava por inventar, ou
a sua falta por sentir,
ou ainda não estavamos tão alto
que o ar rarefeito nos deixasse tontos,
num outro prodigio de uma outra embriaguês.

Só aos poucos pensamos em escadas,
e no tamanho de todo esse edificio,
e no lado prático do que não nasceu para ser assim.
E tontos, tropeçamos em restos de palavras abandonadas
acumulando-se nas sombras como lixo de obra,
rico em coisas que não dissemos.
E, Poetas, esbarramos no medo que nos é atávico
de encontrar palavras de onde a poesia está ausente.
E isso… não !

Antes o silêncio alegre
das páginas em que nos revemos,
nos escritos dos outros.
Antes as memórias dos nossos cadernos
carregadas com tanto desse tudo quanto fomos
enquanto fomos sendo tantos
desses outros tantos 
que afinal somos,
sendo únicos e Poetas.


foto HMendes




8 de jun de 2015

107 - DESTINO







Há passos que não se dão !
Apenas aparecem dados, simplesmente,
como se, ás vezes,  a Vida fizesse por nós
aquilo que nós não temos a coragem de fazer.

Assim, seja por decisão tomada
ou por conspiração de acasos,
vemo-nos postos nos trilhos certos,
rumando áquele ponto
onde presente e futuro se intersectam
e desenham este hoje
onde nossos passos já ecoam,
embora ainda a medo,
embora ainda em esboços e hesitações,
mas convergindo já para ser
esse fim maior,
esse ponto fantástico,
esse último reduto da lógica e do controle
além do qual começa um outro, inexorável,
maior que nós,
ao qual reverenciamos, chamando-lhe
Destino !