5 de mar de 2016

120 - COLORINDO O TEMPO





Se eu fosse colorir o tempo,
pintaria todos os estuários dos rios
com pôr de sol.

E em todos os penhascos
pintaria limites com a erva mais verde,
cravejada de pedras caiadas de branco.
E lá de cima poderiam ver-se
em todo o mar, adejando ventos,
as sombras de velas brancas,
subindo, descendo, acariciando
ondas  e espumas efervescentes
em todas as cores.

Seriam em tons de areia os infinitos,
com coqueiros  em vénias lentas
para onde correr em pausas
de sedes e risadas,
e faiscantes de água os  olhares
de quem olha longe e não se encontra.

Faria da cor poeirenta dos caminhos
a memória das pedras  silenciosas
que escrevem o tempo em sombras
e resistem aos ventos.

E no barro avermelhado dos telhados,
deixaria intermitências de vidro transparente
por onde o sol pudesse pintar em arco-íris
e as estrelas ousassem visitar sonhos
em doçuras primordiais.



E talvez nem fizesse mais...


Um comentário:

  1. Maravilhosos tons, meu amigo...como todos os seus versos.
    Parabéns!

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