
São como fotos, os meus poemas.
Tentam captar momentos,
todos eles únicos, de um tema
ou de um sentimento
que o substitua.
Se fossem perfeitos,
teriam não só a imagem
mas a cor e os cheiros,
o toque e o sabor ,
o sentimento
e a aspereza quase táctil
da realidade…
Mas são só poemas,
a sua verdade é só a minha,
e a minha arte
é apenas um passo pequeno,
fugaz e miúdo,
em todo esse chão por percorrer.
São só poemas, e estão
tão longe dessa perfeição
que, escrevê-los,
apenas entorpece a dor
de não já saber mais
como fazê-los melhores,
e realça o travo amargo
do limite descoberto.
Mas eles são a mancha
amorosamente roxa
no meu braço nu.
A veia repetidamente furada
rumo ao fim.
São o meu maior vício!
São um presente que,
vaidoso que sou,
partilho com os outros
- mas me dou a mim!
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