9 de mai. de 2018

164 - SONHOS DE RIO









Às vezes sou rio, outras  sou margem.
Ora avanço fluindo constante, imparável e forte,
apreciando todos o detalhes de um mundo
que é, todo ele, o meu caminho,
ora as margens me sufocam numa implicância de detalhes,
com estreitos e fráguas, obstáculos e curvas
atrasando-me todos os  destinos.

Às vezes parece que me cospe, a montanha,
e salto no espaço destemido e inspirado,
rugindo brilhos de arco-íris encantados
e molhando de verde o mundo.
Na minha passagem movo engenhos, crio lagos,
sou alimento e caminho para os que me acompanham.

Outras vezes, afundo-me em terreno macio
e desapareço até de mim, bebido, drenado,
reduzido no meu poder.
Sugam-me a força os dias lentos, e
a secura das planícies monótonas sem outros desafios
que não sejam o da mais elementar sobrevivência.

Entre umas e outras
há um mundo que me deixa passar, quase indiferente,
sem prestar atenção a nenhum outro fado
que não seja o de ser rio, turbilhão de lodos,
solitário e único como todos os rios,
sempre alisando as margens esmagadoras,
rumo a um fim constantemente alterado.

Mas por hoje sou apenas nuvem,
e choro futuros copiosamente.




copyrighthenriquemendes/2018

Um comentário:

  1. Cony Ureña9/5/18 9:20 PM

    Oh amigo POETA, te reconozco como un río caudaloso y fuerte, pero también lleno de bendiciones tanto para ti, como para los demás y si apenas hoy eres nube, mañana derramarás tu caudal sobre la tierra árida, para que florezca.

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