2 de fev de 2014

93 - DEGRAUS NAS MANHÃS




Eu encontro-te nos degraus das manhãs.
Escalo-te  pelos relevos mínimos  que descubro diariamente,
meio adivinhados, meio tateados  em caricias leves…
-Ensaios. Pontas de dedos, sondando etéreamente.

Sei-te nas coisas em que nunca te saberás, pequenas, ínfimas,
e  que um dia não lembrarei  mais,
de tão perdido de mim nesse olhar com que me olhas,
 e onde um dia navegarei  oceanos de coisas
que também não precisarão serem ditas.

Eu murmuro-te  no vento,  e  persigo-te  nas estrelas
do que poderiam ser madrugadas,
se  em dias alvorecessem.
Mas também te  escolho  noite…
E não te encontro mais,
apenas porque já te sou,  como ainda te és.
Não teu, mas tú.  E sendo-te , sou.

Sou, de ti, a parte mais inalienável, refeita,
e também a mais prescindível.
Aquela que podes sempre  adormecer  e  recalcar,
remeter ao eco das memórias por viver,
e ser como fomos sempre:  Nossos. Nossos!
Percorrendo os  degraus das manhãs…
Dias, mundos, e promessas de madrugada…

Portanto,
caminharemos indivisos na obscuridade
na risada cúmplice do descomprometimento das causas.
Não sabemos mais,  nenhum de nós, 
rabiscar na névoa dos dias
uma assinatura que nos seja plausível sem sofrimento.
Misturemos letras, assinemos juntos.
Sejamos um, ao menos, por excepção do outro.
Um, Poeta, esperando a vez de ser gente.
Ou o outro, que lá vai sendo gente,
mas que nem sempre dá conta de ser Poeta…



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