23 de mar. de 2015
22 de mar. de 2015
21 de mar. de 2015
20 de mar. de 2015
102 - DIA DO PAI
Não sei que
horizonte, que medida chã,
que outro
tempo, ventos e rumos,
canto no
meu canto, de voz alterada.
No meu
canto de costas guardadas,
por paredes
de pedra forte e fria,
sem
grilhões nem abraços.
No meu
canto, caverna de dragão,
em
confortos de dor profunda,
risos de felpas
antigas sob a pele.
( Não sei de taças erguidas, hoje.
Sei de
portas para sempre fechadas...
E de ruas
que fiz com palavras,
cruzando
toda uma cidade de destinos
que me são
profanos, e hostis,
para levar
mensagens que nunca serão lidas,
e outras que já nunca
escreverei.)
Sei da
chuva lavando as calçadas de pedra
como
lágrimas colectivas,
onde as
minhas nadam, campeãs.
19.03.2015
Foto: S. Gimigniano/Toscana/Italia
Foto: S. Gimigniano/Toscana/Italia
5 de mar. de 2015
7 de set. de 2014
100 - SOMANDO INSTANTES
Já cantei momentos
únicos.
Preciosos, entre os
instantes.
Dei voz às ruas de cidades
só minhas
que tantas vezes
abracei
com olhos de amante.
Adentrei-lhes sombras
e recônditos,
amei-as em nichos e
alcovas,
perdido nos
encantamentos
surreais das suas madrugadas.
Conheço-lhes os outros
instantes,
o cansaço antecipado de
quem vai
e ainda tem pela
frente o dia inteiro.
E depois a volta, anoitecendo.
Presenciei alguns dos
seus segredos,
surpresas, coisas de
às vezes…
Escutei-lhes tantas
memórias,
em longos instantes de
silêncio,
que me fizeram
guardião
de muitos dos seus
ecos…
Trago na ponta da língua
mil dos seus sabores e
segredos…
Histórias de chegada e
de partida.
Gestos acontecidos de
improviso
na improbabilidade do
impensável,
e fantásticos fulgores
de acaso.
Escutei-as ciciar baixinho
os seus medos e
vontades
de cidades apenas, sem
tempo,
também elas feitas dos
instantes
que, somados, são esse
mundo
que me faz a mim de
instantes.
Somados…
Cada um deles
precioso,
e mil vezes
relembrado.
Dos quais não me
separo,
nem me ausento ou
dispenso,
e que compõem essa voz
lenta, simples, já
longa,
com que canto a minha
vida
em palavras como
momentos…
Pequenos mundos de
palavras
nascendo e
separando-se de mim.
Instantes de um
instante…
(foto: H.Mendes )
29 de ago. de 2014
99 - PASSO A PASSO
Começamos por baixo, ajeitando pedras
e sobras dum passado feito de momentos.
Sempre recriamos, quando reciclamos rumos
e apontamos a destinos distantes
como se pudéssemos chegar neles assim,
afastando objecções com a vontade,
e adoçando com seduções de luz dourada,
brilhos e sorrisos
cúmplices de alma,
todos esses passos que,
passo a passo,
nos empenhamos em dar.
Somamos instantes
como quem faz vida,
sem pensarmos que é a
vida que faz instantes.
E sem pensarmos que as nossas escolhas
não são destinos, mas apenas
aquilo em que nos empenhamos.
Um esforço concertado
de desejo e de vontade
tentando trazer a esse mundo cinzento, quotidiano,
todos os outros tons de coloridos ignorados,
sussurros adiados de amarelos vibrantes e vivos,
todas as cores que gritem aqueles brilhos
que nos aproximem do extremo, dourado-único,
que, como um tesouro,
ansiamos ter.
Mas somos instantes, como
sorrisos sorrindo no espelho.(Foto: Henrique Mendes 2012 )
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