12 de mai. de 2026

202 - O MEU POEMA

 







Este é o meu poema.

Encontrei-o num virar de esquina, 

num repente de um momento qualquer, 

inesperado.


A mim, o poema encontrou-me desprevenido, 

de guardas baixas, atravessando 

um instante vago e sem expectativas,

caminhando naquela tarde de tantos outros

para chegar a já nem sei onde.


E todo aquele espaço 

que havia na praça mortiça

à frente dos meus passos, 

pendurou-se nos meus olhos,

ganhou outra cor e todo um brilho feito

de significados que até aí permaneciam ocultos,

e o poema dominou-me com a mão firme

com que se domam sonhos fortes.


Cantou a minha força,

enalteceu desenganos,

apurou o que sobrou de mim.

E foi pouco, sendo muito.

E valeu a pena