Este é o meu poema.
Encontrei-o num virar de esquina,
num repente de um momento qualquer,
inesperado.
A mim, o poema encontrou-me desprevenido,
de guardas baixas, atravessando
um instante vago e sem expectativas,
caminhando naquela tarde de tantos outros
para chegar a já nem sei onde.
E todo aquele espaço
que havia na praça mortiça
à frente dos meus passos,
pendurou-se nos meus olhos,
ganhou outra cor e todo um brilho feito
de significados que até aí permaneciam ocultos,
e o poema dominou-me com a mão firme
com que se domam sonhos fortes.
Cantou a minha força,
enalteceu desenganos,
apurou o que sobrou de mim.
E foi pouco, sendo muito.
E valeu a pena