18 de jun. de 2012
49 - VIBRATO
É mais complicado que tudo isso...
Mais que apenas o olho, ser o vento,
o cisco, a lágrima,
o sal no trilho aberto em selvas de barba...
Mais que apenas as mãos em gestos,
pontuando formas e sentires de momentos
escritos em entardeceres boreais, perpetuando-se...
ser as carícias táteis, buscando ainda,
talvez para sempre, os cálidos vestígios da intimidade única,
do instante insubstituível da chegada.
Mais que toques transacionais, gentis, contando histórias
onde as palavras são apenas artifícios evocando brilhos escuros
nos olhares, doutra forma esquecidos de si.
Preciso ser mais. Sempre precisei ser mais.
Tenho de ser a sílaba,
que encontras e reconheces entre palavras tuas.
A pausa que antecipa o sorriso por acontecer,
quando me tornas teu.
O tom colorido, na frase monocórdica,
com que me retomas ao desinteresse
com que me perdi no teu olhar...
Preciso ser mais,
por isso nunca serei completamente teu,
nem meu...
Por isso nunca haverá nada
que eu possa ser completamente.
Nem sequer apenas um pedaço de mim.
Maio/2010
17 de jun. de 2012
48 - EL BREVE ESPACIO EN QUE NO ESTÁS
El Breve Espacio En Que No estás
Pablo Milanés
Todavía quedan restos de humedad,
sus olores llenan ya mi soledad,
en la cama su silueta se dibuja cual promesa
de llenar el breve espacio en que no está.
Todavía yo no sé si volverá, nadie sabe,
al día siguiente, lo que hará.
Rompe todos mis esquemas,
no confiesa ni una pena,
no me pide nada a cambio de lo que dá.
Suele ser violenta y tierna,
no habla de uniones eternas,
mas se entrega cual si hubiera
sólo un día para amar.
No comparte una reunión,
mas le gusta la canción que comprometa su pensar.
Todavía no pregunté "¿te quedarás?".
Temo mucho a la respuesta de un "jamás".
La prefiero compartida antes que vaciar mi vida,
no es perfecta mas se acerca a lo que yo
simplemente soñé...
Suele ser violenta y tierna,
no habla de uniones eternas,
mas se entrega cual si hubiera
sólo un día para amar.
No comparte una reunión,
mas le gusta la canción que comprometa su pensar.
Todavía no pregunté "¿te quedarás?".
Temo mucho a la respuesta de un "jamás".
La prefiero compartida antes que vaciar mi vida,
no es perfecta mas se acerca a lo que yo
simplemente soñé...
sus olores llenan ya mi soledad,
en la cama su silueta se dibuja cual promesa
de llenar el breve espacio en que no está.
Todavía yo no sé si volverá, nadie sabe,
al día siguiente, lo que hará.
Rompe todos mis esquemas,
no confiesa ni una pena,
no me pide nada a cambio de lo que dá.
Suele ser violenta y tierna,
no habla de uniones eternas,
mas se entrega cual si hubiera
No comparte una reunión,
mas le gusta la canción que comprometa su pensar.
Todavía no pregunté "¿te quedarás?".
Temo mucho a la respuesta de un "jamás".
no es perfecta mas se acerca a lo que yo
simplemente soñé...
Suele ser violenta y tierna,
no habla de uniones eternas,
mas se entrega cual si hubiera
sólo un día para amar.
No comparte una reunión,
mas le gusta la canción que comprometa su pensar.
Todavía no pregunté "¿te quedarás?".
Temo mucho a la respuesta de un "jamás".
La prefiero compartida antes que vaciar mi vida,
no es perfecta mas se acerca a lo que yo
simplemente soñé...
47 - HOMENAGEM A CAMÕES ( pelo10 de Junho )
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E afora este mudar-se cada dia
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soia.
46 - CASSETAS
Encontrei ontem, mais uma vez, uma fita cassete que andava
no porta-luvas do carro fazia um tempão.
Consegui finalmente deitá-la fora, sentindo que se tinham
exaurido todas as desculpas que negociava comigo mesmo, no sentido de a manter.
O aparelho de som deste carro, não reproduz fitas. Apenas CD’s. Da mesma forma, o do carro anterior,
também não. Nem o outro, antes, nem o anterior a esse. E, com toda a certeza,
como enfeite, eu não a traria comigo...
Então, porque a carreguei todos estes anos?
Carreguei-a pelas estradas e pelos calçamentos impiedosos de
Itapecerica, inútil, barulhenta e cheia de vibrações, desajeitada de
acomodar... - mas aconchegante ! Uma
pequena ilha de certezas, imutáveis, no meio de um oceano de coisas mudando
muito depressa, no fluir dos meus dias.
Lembro-me de a ter gravado, querendo que fosse eterna, antes
de vir para o Brasil. Escolhi apenas
músicas que me tocavam profundamente, e municiei-me de equipamentos de
ultimíssima geração, visando a ultra-qualidade. O resultado final foi
fantástico, e realmente serviu-me de apoio, constituindo uma espécie de âncora
emocional que me manteve estável nos primeiros tempos, neste meu novo país.
Na verdade, até não tocou muitas vezes. Apenas quando já não
estava agüentando mais música axé, que entretanto se apossara das rádios vinte
e quatro horas por dia, até ser destronada por essa enorme onda monotemática de
música sertaneja, que dura até hoje. Pensando melhor, creio que, afinal, tocou muito, sim. Tocou para valer...
Apesar disso, sempre brilhou como uma pedra preciosa, lá no
fundo do porta-luvas, socorrendo-me quando, inconformado com o que me era dado
ouvir pelas rádios, ansiava por mais, querendo melhor, diferente, noutras
línguas de outros povos, mais variado, mais qualquer coisa que não fosse apenas
aquilo.
Mas o tempo, esse danado, trouxe com ele a habituação, o
entorpecimento, e o meu ouvido foi-se re-educando para essa nova realidade, tão
árida. Aos poucos, outras realidades musicais, outras experiencias, foram
ficando mais e mais débeis, menos objeto de desejo, mais amorfas e vagas.
( Neste ponto, abrem-se outros raciocínios, colaterais,
quando penso como somos passíveis de ser educados até para a aridez, bastando
para isso teimar sobre um mesmo tema, sem permitir temas alternativos. Torna-se
clara a importância dos mass-media, e das agências de publicidade, nos seus caríssimos charlatanismos experimentais...)
E foi também o tempo, inapelável, quem trouxe outros carros,
outros aparelhos de som, e a boa da minha fita-cassete foi perdendo a razão de
ser, até se tornar nessa inutilidade que carreguei carinhosamente, por tanto tempo.
Como última homenagem, amortalhei-a num guardanapo de papel,
procurei um cantinho relativamente limpo, no caixote do lixo, e aí a joguei com
um gesto de também desnecessário dramatismo, sentindo que, de alguma forma,
alguma coisa se completava nesse ato sucinto, libertador, e estranhamente
dolorido.
Pensando a respeito, reconheço com alguma inegável
nostalgia, claro, que é perturbadora a existência desse horizonte maior, de que
ninguém fala. Mesmo quando cabe numa caixinha de plástico transparente,
enrolado numa cassete.
Amanhã, viajando, escutarei a cópia que mandei fazer para
CD. Pirata e sem alternativa.
Outubro de 2007
11 de mai. de 2012
45 - NÃO SEI DOS OUTROS
Não sei dos outros, só de mim.
Sei onde as palavras nascem e se impõem á minha vontade, dum jeito todo
delas, que quase sempre é maior que as minhas escolhas. Sei da surpresa que
sobrevém, na leitura, ao ver o formato que as palavras tomaram para passar
adiante as idéias que as fizeram nascer. É como ler outro autor desenvolvendo
um tema que eu escolhi. O tema é-me familiar. A forma que o veicula, não.
Talvez isso ocorra porque as
palavras são o sangue do momento, correndo espesso nas fúrias e aguado no sentimento. Exatas na concisão necessária,
e difusas na abrangência preparatória a um determinado estado de espírito.
Penhores, quando promessas, mas livres por nascimento. Tendenciosas ao
persuadirem, e reveladoras quando confessam.
No que me diz respeito, até as
ausências formam palavras. Cruas, quando apenas revelam faltas. Necessárias,
quando abrem um espaço, e uma pausa para discussão. Fatais, quando inocentam
mas não convencem. Cruéis, quando
maiores que o necessário.
E há também as presenças, nas
palavras. As vozes dos outros explicando tão bem o que quereríamos dizer com
palavras nossas, que não adianta nem tentar
encontrar formas melhores de
fazê-lo para acabar dizendo apenas isso mesmo.
Talvez seja aqui que acontece o
poeta. Aquele que aparece com o enfoque sensível que queríamos que fosse nosso,
e traduz em palavras maravilhosas as emoções que ainda só conseguimos expressar
de formas mais rudes. Emoções que ainda
verbalizamos mal, mas das quais conhecemos o potencial de beleza, apenas ainda
inalcançado.
Nesse sentido, é um ladrão, o
poeta. Porque pega o momento, extrai-lhe a beleza que lhe encontrou, e
congela-a numa outra escala de tempo, onde ela para sempre existirá sob esse
formato enaltecido que agora é dele, marcado com seu ferro pessoal, revelado
aos outros, mas negando-lhes a autoria.
No entanto, a esse instante de beleza eternizada, repercutido
em muitas sensibilidades, somam-se muitos
outros instantes, nascidos de tantos outros poetas que congelaram uma miríade
de momentos só seus. E, nesse sentido, o Poeta é um multiplicador, dando aos
outros uma base que eles tornarão sua, e que os estimulará para as suas
próprias interpretações do belo.
Por isso a Poesia progride como
uma onda de beleza inescapável, movimentando-se com inércia própria num
percurso jamais repetível, que deveria direcionar-nos para uma pergunta de
extrema humildade: - é o poeta quem faz a poesia, ou será que apenas a
persegue?
Não sei. Um dia copiei á mão um
poema e guardei-o. Muito tempo depois mostrei essa cópia a quem o tinha
escrito, para que soubesse como o havia
tornado meu, e que fazia parte dos meus guardados favoritos, apesar de saber
que não fora escrito em minha intenção. Com isso prestei a minha homenagem ao
momento imortalizado, mostrando como me tocara e como lhe dava continuidade.
Talvez por esse motivo, hoje, eu
escrevo prosa. Amanhã, veremos.
8 de mai. de 2012
44 - TRILOGIA DOS PASSOS - O VIANDANTE 3
Qualquer
caminho é muito mais do que meramente um percurso, que se retoma após cada nova
parada. Para ele, o Caminho sempre tinha sido muito mais do que isso, e os seus
passos tinham-no percorrido com uma satisfação renovada pela sucessão dos dias,
sempre diferentes.
Os
lugares revelavam-se únicos e vibrantes de detalhes, cada um deles um hino
soando em louvor a um espaço e a um tempo que ali convergiam, perante os seus
olhos, resultantes de uma infinidade de
combinações possíveis.
Os
outros caminhantes, quer partilhassem o seu rumo e permanecessem ao seu
lado por algum tempo, quer cruzassem consigo rumando a outros destinos,
continham em si mesmos o fascínio inapelável do futuro deslindando-se a cada
passo. Por isso eram raros os conhecidos que encontrava. Quase todos caminhavam
perseguindo objetivos e detalhes que variavam a todo o momento, o que tornava
confusas e erráticas as suas rotas.
Habituara-se
a vê-los ir e vir, os seus rostos mudando sempre. Eram cada vez menos os que pediam para
partilhar a sua fogueira, nas longas noites frias. E era cada vez maior o numero de pontos
luminosos espalhados pela noite, revelando outros pequenos acampamentos
espalhados em todas as direções. Isolados.
Acabara
perdendo a conta do tempo. Caminhara por muitos anos, sempre animado por esse
amor ao Caminho, apreciando-o em todos os detalhes. Enaltecera-lhe a beleza,
ajudara os outros quando fora necessário, escutara-lhes as histórias, e tentara
sempre guiar-lhes os passos quando os sentira perdidos. Tornara-se aos poucos
numa presença habitual, passando sempre, caminhando sempre, carregando consigo notícias
de lugares distantes e espalhando
costumes e tradições.
Quando
um dia sentiu vontade de parar, não imaginou que fosse cansaço. Apenas
estranhou que os lugares, sempre tão especiais e únicos, começassem a
parecer-se uns com os outros. Como se o mundo se estivesse copiando a si mesmo,
e as flautas dos pastores tocassem, bucólicas, uma mesma melodia em todas as
pastagens de todas as montanhas.
Quando
realmente parou, construiu o seu abrigo e se rodeou dos seus pequenos
confortos, descobriu que essa parada não
era mais do que apenas um outro passo no
seu caminho. Uma outra etapa.
Rodeara-se
de pequenos objetos. Coisas sem importância que trouxera de tantos lugares
diferentes, e que evocavam momentos especiais, como sumários de emoções. E
essas emoções despertavam saudades e novos anseios, entre eles o de partir
novamente.
Foi
então que percebeu que esse anseio da partida era também apenas um outro passo
no seu caminho, tornado fácil por já ter um abrigo seu, de onde partir, e para
onde voltar. E assim partiu e voltou muitas vezes, escrevendo em passos a sua
história.
Sabia
como as marcas dos seus passos eram efêmeras, na poeira dos caminhos. Era apenas mais um passante deixando pegadas
logo pisadas por outros, que lhes modificavam as formas. E o número dos outros passantes não parava de
aumentar, em idas e vindas por toda a parte, reduzindo tudo a traços amorfos,
de leitura impossível.
Só
nas pequenas cavernas, onde se refugiara das chuvas em vezes anteriores, de vez
em quando encontrava vestígios de si mesmo, e da sua passagem. Pequenos
benefícios que introduzira nesses lugares. Um chão que alisara, para melhor
poder dormir. Uma rocha que escavara para acolher o fio de água que nascia da
parede, transformando-o em fonte. Ou pedras, que empilhara na entrada para
impedir o vento.
Eram
coisas suas, nascidas do seu trabalho,
das suas necessidades e do seu engenho, que muitos tinham aproveitado depois,
usando-as e, muitas vezes, acrescentando-lhes alguma coisa, fosse boa ou não.
Mas
sempre havia algo que fora acrescentado, e muitas vezes percebia que o lugar
fora arrumado e limpo antes de ser abandonado por quem o usara, deixando-o pronto
para acolher a quem o encontrasse. O seu
exemplo frutificara. Ás vezes ainda encontrava a vassoura, improvisada duma
galhada qualquer. Outras vezes, um pouco de lenha seca, empilhada num canto,
numa oferenda anônima a quem chegasse depois . Ou um pequeno fogão de barro
amassado, onde se tornava fácil cozinhar algum alimento para recuperar as forças antes de prosseguir.
Atento,
foi notando cada vez mais a existência deste tipo de detalhes, e percebeu que
havia uma esperança. Que havia outros viandantes que não se limitavam a passar.
Que escreviam as suas histórias em sutilezas que não poderiam ser apagadas
pelos outros. E que muitos deles eram jovens, mas já empenhados na procura dos
seus próprios caminhos, e firmes nos seus passos.
Essa
convicção permeava a sua vida, e esteve presente de todas as vezes que decidiu
partir. Sentava-se num pequeno banco, junto á porta já aberta, e calçava a suas
sandálias de sola grossa, amarrando-as ás pernas com todo o cuidado enquanto
olhava lá para fora, já sentindo o fascínio do caminho que se abria à sua
frente.
Depois
punha a capa pelos ombros, o alforge a
tiracolo, o cantil do outro lado, e logo que pegava no seu cajado de viandante,
os seus passos iniciavam-se com fluidez, como se a normalidade se
reinstituísse, e retomava o caminho sem nunca olhar para trás, ou sequer fechar
a porta.
Agora,
enquanto olhava esses objetos que eram seus companheiros havia tantos anos,
decidira que não partiria mais. E percebia que ficar era apenas mais um outro
passo ainda, no seu Caminho.
Olhou
a mesa, a pena, o papel liso como uma estrada, à sua frente.
Ficou.
Março 2009
43 - TRILOGIA DOS PASSOS - O VIANDANTE 2
A
mão reencontrou a forma que ela mesma impusera à madeira, muito tempo antes.Com
isso, houve uma espécie de estremecimento no mundo, ao redor. Uma vibração de ajuste. Um regresso à normalidade.
A mão segurou o
cabo do cajado com fluidez. Percorreu-o em carícias de dedos até ao castão de prata,
onde se abrigava o cristal puro. E
estes sentiram a textura, e tatearam os nós, tão conhecidos, num gesto antigo,
que sobrepunha doçura á experimentação.
Foi
então que percebeu o corpo inclinando-se para a frente, num discreto início de
movimento, que logo reprimiu. Os
primeiros passos, se os desse, como os pararia ?
Olhou
as sandálias de sola grossa, no chão. Por um momento, pareceu-lhe que voltava a ouvir-lhes a voz crepitada de quando caminhavam esmagando pequenas pedras e torrões de terra
pelos silêncios ermos dos caminhos,
enquanto iam absorvendo as histórias
espantosas de tantos lugares.
Mas
as velhas sandálias apenas descansavam na sombra da capa de lã e do chapéu,
ambos pendurados na parede, junto á grossa porta de madeira, ao lado do alforge
de couro escuro, e do cantil.
Todos
esses objetos familiares estavam há muito tempo na eminência daquele instante
por chegar, cuja aproximação agora se dava num crescendo de tensão quase
palpável.
E
todos, pela primeira vez, pareciam perceber que isso era partir. Não mais como
das outras vezes, quando apenas iam, sabendo que tinham ali o seu ponto de
regresso.
Por
isso, tudo ao seu redor foi ficando especial, quase mágico, e uma luz, que
parecia vinda do interior das coisas, brilhou suave, e acrescentou solenidade e
honra ao momento.
Por
cima de todas as casas, uma leve fumaça ascendia, aromática, enchendo o vale com sutis aromas
de abastança.
Espalhou-a
o vento, que não trouxe rumores de passos.
Permaneceram silenciosos
os cães, sem
ladrar limites.
O
dia demorou a amanhecer, envergonhado.
Talvez
de ser apenas outro dia.
TRILOGIA DOS PASSOS - O VIANDANTE 2
( Março 2009)
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