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11 de fev. de 2018

160 - QUERO


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Quero
as madrugadas de que eu gosto
todos os silêncios em que aposto 
e a caneta dançando nos dedos
(uma valsa onde não haja medos)

Quero 
viver toda a poesia dos instantes
e os momentos mais marcantes
o sorriso doce dos meus alentos
(o voar alegre dos pensamentos)

Quero 
que nenhuma noite em si se acabe
que o destino faça tudo o que sabe
que se revele em mais mil histórias
(sejam carícias ou derrotas e vitórias)

Quero
os abraços de todos os amigos
o sorriso fiel dos mais queridos
e uma montanha só para mim
(com sonhos subindo até ao fim)

Quero 
com algo mais que a vontade
um sabor vago de eternidade
e risadas alegres nas manhãs.
(só!)


copyrightHenriqueMendes2017

23 de jan. de 2018

159 - INFINITUDE




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O poema afastou-se, depois
de ter assomado ao longe
numa promessa imensamente
vaga de que ia chegar.


Percebi quando se agarrou
a um detalhe qualquer
e se esfumou em sólidas
concretudes inadiáveis.


Deixou um lamento.
Tinha nascido igual a todos,
um fantástico poema único
ainda por ser de facto.


E deixou um buraco no mundo,
mesmo que as casinhas ao longe
ainda desenhem sorrisos alegres
na face da montanha repetida.


Com ele foi-se o mistério,
o traço insubstancial e fino
com o qual se adequa o mundo
ao bem estar do espírito.


E assim perdeu a voz
aquela chama, apenas nascida,
de algum pormenor singular
levemente ao lado de algo.


E adiou-se o poeta, é claro,
no seu ofício extraordinário
de trazer para o mundo
a poeira encantada das estrelas.



copyrightHenriqueMendes/2017